sábado, 1 de julho de 2017

inacessível



estendo na madrugada
os meus pesadelos
como lençóis de Orfeu
para construir pórticos
— horizontes [in]visíveis —
onde os buracos negros
da minha alma
não cabem no mirar...

esse mundo paralelo
que eu engendro
é compensação à ignorância
inveterada de mim mesma
sob uma irredutível realidade
cujas distorções, inevitáveis,
me impelem ânsia e medo...

no escuro, não há espelhos.
com as lentes do criar
feito sondas
captando imagens
dos desconhecidos
territórios do meu corpo
mantenho fechados os olhos:
escrever é sonhar

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Excertos - [des]aforismos



I
do ínfimo ao infinito
eis a minha conjectura
: o mundo é sempre mais bonito
visto a certa altura

II
asa de imaginação que bate à toa
desconhece o céu: não voa

III
diz-se que a vida é matemática
assim, tal coisa prática
digo que é [meta]linguística
vida humana [inexata], tal coisa mística

IV
the black hole
is not black whole
either a hole


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

nuvens

hoje pintei meus sonhos
em mil desenhos
de nuvens
         só para você ver
e soprei ao céu azul
em direção à tua morada
mas ficaram todas
disformes... estioladas...
         e o dia segue, pois, enevoado
    dentro e fora do peito

: tua janela permanecia fechada